
“Não agüento mais receber pedidos da Dilma e do Gilberto Carvalho (chefe de Gabinete da Presidência da República) pra fazer dossiês. (...) Eu quase fui preso como um dos aloprados”.
'Veja' informa que os registros foram 'gravados legalmente e periciados', sem dar detalhes sobre quem fez as gravações nem quem teria autorizado o grampo.
Sobre a referência aos 'aloprados', a reportagem explica que Abramovay trabalhava na liderança do PT no Senado e com o senador petista Aloizio Mercadante em 2006, quando petistas foram presos em um hotel de São Paulo ao tentar comprar um suposto dossiê contra José Serra.
Segundo a 'Veja', na conversa com Tuma Júnior, Abramovay 'sugere ter participado do episódio e se arrependido'. Conta que quase teria sido preso na época e até teve de se esconder para evitar problemas. 'Deu 'bolo' a história do dossiê', teria afirmado ele.
Abramovay, que era secretário de Assuntos Legislativos do Ministério, assumiu a Secretaria Nacional de Justiça em junho, depois que Tuma Júnior foi afastado do cargo em meio a denúncias de manter relacionamento com integrantes da máfia chinesa, em São Paulo. Procurado pela 'Veja', ele negou o teor das fitas.
'Nunca recebi pedido algum para fazer dossiê, nunca participei de nenhum suposto grupo de inteligência da campanha da candidata Dilma Rousseff e nunca tive de me esconder - ao contrário, desde 2003 sempre exerci funções públicas', disse.
Tuma Júnior confirmou à revista os diálogos:
'O Pedro reclamou várias vezes que estava preocupado com as missões que recebia do Planalto. Ele me disse que recebia pedidos de Dilma e do Gilberto para levantar coisas contra quem atravessava o caminho do governo', replicou, acrescentando: 'Há um jogo pesado de interesses escusos. Para atingir determinados alvos, lança-se mão, inclusive, de métodos ilegais de investigação. Ou você faz o que lhe é pedido sem questionar ou passa a ser perseguido. Foi o que aconteceu comigo'.
Sem revelar nomes, Tuma Júnior segue: 'Posso assegurar que está tudo bem documentado', diz o ex-secretário Nacional de Justiça.
Em passeata ontem em Diadema, no ABC paulista, Grande São Paulo, ao lado da candidata à Presidência Dilma Roussef (PT), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva Lula não comentou a reportagem da 'Veja'. Lula disse não ter lido a reportagem.
- Não vi a (Veja) de hoje nem a de ontem. (VEJA)
Fonte:Blog do Magno.