O prefeito José Aldo Mariano e o vice-prefeito Zé Almeida armaram o quartel general para acompanhar o resultado da eleição em uma casa no Loteamento Santa Cruz.
Lá pras tantas, depois de consumidos muitos litros de whisk e muitas grades de cerveja, todo mundo já biricado, o resultado das urnas começou a chegar.
- Bruno Araújo perdeu nas urnas do Rodofolfo, do Estadual, do Agrícola, dizia uma voz gasguita. Marcantônio Dourado, também!
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Padre Aldo: Em defesa da honra! |
O prefeito, vermelho feito pimentão, começou a esbravejar:
- Eu num disse que Marcantônio num tinha voto, eu num disse, a culpa é de vocês...
- De vocês quem? – pergunta o filho do vice-prefeito.
- De Zé Almeida, de Avanildo, de Pezinho!, responde o padre prefeito.
- De quem? Tá conversando merda! A culpa é sua! Você foi passear na Argentina e só chegou faltando 15 dias, deixando a gente sozinho.
- Eu fui passear porque Jair disse que a campanha tava ganha, fui descansar. Eu também tenho direito de descansar, voltou a responder o padre.
Nisso o ambiente foi ficando pesado, o vozeirão aumentando mais e, de repente, alguém, sem querer querendo, deu uma tapa no peito do prefeito pra matar uma abelha que pousava nele.
Então, ante aquela cena chocante, fez-se um profundo silêncio...
Pensando que tinha sido agredido (os que estavam lá também pensaram), o padre prefeito amarrou o burrou no pé da cajarana, fechou a cara e saiu arretado derrubando tudo.
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Padre Aldo: Em defesa da honra, voltou, mas não tinha mais ninguém... |
De fato, enraivado, a reação do padre prefeito poderia ser imprevisível, e só se viu nego pulando muro, cadeiras e mesas sendo derrubadas, copos e garrafas caindo no chão, mulher chorando, menino gritando, tamanco num canto, sandália noutro, num alvoroço que colocou em pânico todo o bairro Santa Cruz.
Fonte: Me Conta que depois eu conto.